O ano que se foi dificilmente deixará boas lembranças. O que chega, promete um empurrãozinho, ainda que de leve, para dias melhores. Um refresco merecido, após tantos raios e trovoadas.

Previsão do novo tempo: estável, com temperatura amena em ligeira elevação.

“Este ano não vai ser igual àquele que passou, eu não brinquei, você também não brincou…” A letra da marcha “Até Quarta-feira”, de Umberto Silva e Pedro Sette, traduz com certa fidelidade o cenário que se esboça para este 2018. Parece que bons ventos soprarão dando um alívio, ainda que pequeno, à nossa economia e, consequentemente, às nossas vidas. O ano que passou foi o do caos político, econômico e moral do Brasil. Fomos varridos por um tsunami de corrupção, impunidade, arranca-rabos entre os Três Poderes, enfim, uma tragédia.

Mas, algumas luzes se acenderam ao longo desse túnel interminável de desastres em série: nos 3 primeiros trimestres o PIB teve uma leve crescidinha e se animou um pouco mais no quarto trimestre. Vivemos um período de inflação mais baixa em 20 anos, a taxa Selic entrou em queda, houve aumento do crédito e um ligeiro impulso nos setores de bens duráveis. Tudo muito pequeno, mas, vamos combinar que, um refrescante picolé em meio a um deserto escaldante, faz uma grande diferença.

Um futuro que ainda não garante, mas promete.

2018 de temperaturas amenas

Não podemos afirmar que o futuro imediato será cor de rosa. Porém, desbotado e amargo como os dias que tivemos de engolir, com certeza não será. Podemos pensar em uma guinada mais vigorosa na economia e trabalhar com essa perspectiva. Basta vermos alguns números: as vendas de veículos cresceram acima dos 40% e as vendas de imóveis mais de 20% no ano. Outro dado interessante vem da Ponte Aérea Rio-São Paulo, que foi a quinta com maior movimento no mundo em 2017, operando 39,3 mil voos entre as duas metrópoles.

Segundo o Banco Central, a indústria tem projeção de alta de 2,6% em 2018; o setor de serviços projeta alta de 1,9%; no comércio exterior a expansão prevista é de 4% nas exportações e de 6% nas importações.

Cumulus nimbus não será nossa próxima cloud. 

Transição de 2017 para 2018

Vivemos, é certo, os riscos de um ano eleitoral, sem falar dos riscos externos (o mundo segue instável nestas duas primeiras décadas do século 21), mas, segundo as expectativas da maioria dos economistas, o crescimento em 2018 deve superar a atual casa dos tímidos 1,3% ao ano. Por isso mesmo, devemos nos planejar pro que der e vier, para cenários otimistas, realistas e pessimistas. É importante trabalhar com a projeção e análise de cenários, que neutraliza o “achismo” e traz mais respaldo às tomadas de decisões nas empresas. É preciso analisar detalhadamente os contextos interno e externo em que a empresa está inserida. Assim, fica mais fácil identificar fatores futuros que podem ocorrer.

Preferimos pensar e trabalhar no universo dos cenários otimistas, sem menosprezar os realistas, é claro, e passar longe dos pessimistas. E acreditar que poderemos ser bem mais felizes neste 2018 ainda tão nebuloso, mas sem aquelas pesadas nuvens carregadas de energias negativas sobre nossas cabeças.